• Univali

  • Seja você também um profissional da construção naval!

  • Curta nossa FanPage

  • Equipe Ubá Suy Aram

    Desafio Solar Brasil

  • ANI

  • Livro de Regras ABS

    ABS - 2008
  • Principais Estaleiros no Mundo

  • Programação de Navios

    Programação de Navios
  • Arquivos

Óleos para motores marítimos

Produtos especiais para uma aplicação específica.


Por ADELCIO R. SOBRINHO

Desenvolver lubrificantes para embarcações é tarefa de responsabilidade. Afinal, o motor de um navio pode custar até cinco milhões de dólares e precisa estar bem lubrificado, para não se danificar e suportar as longas travessias. Outro fator igualmente importante é a garantia de rapidez na entrega dos produtos e no abastecimento, pois cada dia de espera no porto pode implicar um gasto de 15 a 30 mil dólares.

Existem diversos tipos de embarcações e uma infinidade de equipamentos instalados a bordo que precisam ser lubrificados. Dentre os navios de grande porte, existem os conteneiros, graneleiros, petroleiros, químicos, gaseiros, de carga geral e navios que transportam carros. Entre os de médio e pequeno porte, temos as dragas, os de apoio de plataformas (PSV – Platform Supply Vessels e AHTS- Anchor Handling, Tug and Supply etc.), os empurradores e os rebocadores portuários. Todo navio tem, pelo menos, os seguintes equipamentos: um motor principal, que chamamos de motor de propulsão, os motores auxiliares, que são responsáveis pela geração de energia a bordo, e os equipamentos secundários, tais como guindastes, máquina do leme, sistemas hidráulicos, sistema de refrigeração, purificadores, turbinas, entre outros.

Os lubrificantes:

A preocupação com a lubrificação deve ser grande para todos os equipamentos, desde a máquina do leme até o motor de propulsão. Entretanto, por ser considerado o coração do navio, o motor principal merece uma atenção especial e deve estar sempre bem lubrificado, utilizando produtos de alta tecnologia e aprovados pelos principais fabricantes de motores.

Trata-se de um ponto tão importante, que o próprio capitão do navio deve ser o primeiro a saber que óleo deve ser usado em seu motor. A propulsão dos navios de grande porte é feita geralmente por motores de dois tempos, de baixa rotação, que utilizam combustíveis de alta viscosidade, alto teor de enxofre e que trabalham sob altas pressões. A lubrificação desses motores é feita utilizando dois sistemas independentes: um para os cilindros e outro para a par te baixa do motor.

Nos cilindros, a lubrificação é feita por injeção e o lubrificante queima junto com o combustível. Esse lubrificante deve possuir uma reserva alcalina alta para minimizar os efeitos do Enxofre encontrado nos combustíveis. Os produtores de lubrificantes têm oferecido ao segmento óleos lubrificantes com grau SAE 50 de viscosidade e com uma reserva alcalina dada por um Índice de Basicidade Total (IBT ou TBN) variando entre 40 e 70. Na parte baixa do motor, o lubrificante ofertado é um SAE 30, e como já não há um grande contato previsto com o combustível, esse óleo é formulado com TBN máximo de 5, o que garante a lubrificação do eixo de manivelas e mantém uma pequena reserva alcalina no sistema.

Os combustíveis:

Os combustíveis utilizados na propulsão de grandes navios são, na maioria das vezes, compostos por uma mistura de óleo combustível e óleo diesel, por isso apresentam alta viscosidade e um teor de Enxofre elevado. De acordo com a resolução ANP Nº 49 de 28 de dezembro de 2007, os óleos combustíveis marítimos denominados de OCM podem atingir um teor de Enxofre máximo de 4,5% e variar seu tipo de acordo com a viscosidade medida em centistokes a 50ºC. Assim temos o OCM120, OCM180 e COM 380, podendo haver outros tipos conforme os entendimentos entre for necedor e usuário, variando as quantidades dos componentes.

O óleo diesel marítimo, também regulado pela resolução ANP Nº 49, pode ser comercializado em dois tipos: o óleo diesel marítimo A ou DMA, que é um combustível destilado médio, essencialmente isento de resíduos, e o óleo diesel marítimo B ou DMB, um combustível predominantemente compos-to de destilados médios, podendo conter pequenas quantidades de óleos de processo do refino. Ambos os tipos devem ter, no máximo, 0,5% de Enxofre e ponto de fulgor acima de 60ºC.

Os navios de grande porte também possuem motores auxiliares de 4 tempos, que são responsáveis por gerar energia a bordo. Dependendo do combustível utilizado (DMA ou OCM), o lubrificante a ser utilizado deverá ter um TBN entre 15 e 40. No segmento de embarcações de médio e pequeno porte, que são as dragas, as embarcações de apoio de plataformas (PSV, AHTS), os rebocadores e empur radores, os motores de propulsão são normalmente de 4 tempos e de média rotação, que consomem o DMA como combustível. Os lubrificantes indicados para esses casos variam os graus de viscosidade entre o SAE 30 e 40 e o TBN entre 12 e 20. Se o combustível utilizad for o OCM, os lubrificantes deverão ter TBN entre 30 e 40 para neutralizar os ácidos formados pelo alto teor de enxofre.

O mercado:

A qualidade do produto deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade. Com um mercado reduzido, a disputa pelos clientes é cada vez mais acirrada. Preços competitivos, logística e atendimento são os três fatores que mais influenciam os armadores, tanto do segmento de marinha mercante quanto de apoio marítimo e portuário. O consumo médio de lubrificantes de um navio de grande porte pode chegar a 160 mil litros por ano, sem incluir os chamados secundários, que são os óleos hidráulicos, de engrenagens, de turbina e as graxas. Estima-se que o mercado marítimo de lubrificantes nacional seja de 20 milhões de litros/ ano, incluindo os navios da Transpetro, que representam aproximadamente 50% do número de navios hoje navegando. Os fabricantes e distribuidores de lubrificantes estão na expectativa de crescimento desse mercado, principalmente nas atividades relacionadas a offshore, onde existem sempre encomendas por novas embarcações. Nos últimos anos, a entrada em operação de novas embarcações tem sido um alento para o segmento de lubrificantes, que aguarda com ansiedade o retorno das encomendas para a marinha mercante. A eficiência com relação à logística está sendo o grande diferencial para se conquistarem novos negócios. Um navio parado no porto pode custar entre 10 e 30 mil dólares e os armadores estão levando em consideração esse risco na hora de escolher o seu fornecedor.

A relação de parceria entre os fornecedores de lubrificantes e os armadores está cada vez mais forte, e a confiança está superando até pequenas diferenças comerciais que possam existir entre empresas. Outra preocupação do segmento de navegação é a segurança ambiental nas entregas dos lubrificantes. Existe um grupo de trabalho entre as empresas de petróleo que está concluindo um procedimento padrão para fornecimento de lubrificantes. O objetivo desse projeto é aumentar a segurança nos abastecimentos dos navios, e, principalmente, a preservação do meio ambiente.

Fonte: Revista LUBES em Foco
(Ano II nº6 – Abril/Maio2008)

Uma resposta

  1. Desejo saber, quantos litros de óleo vai no motor do navio? e se o oleo de navio é o mesmo das pequenas embarcações?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: