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A busca por navios não poluentes

Derramamento de óleo, emissão de gases nocivos à saúde e efluentes a bordo: estes são alguns dos poluentes que os transportes marítimos podem emitir. Com legislações ambientais mais rígidas, segmento busca normalizar condições dos navios

por Tiago Dias

Não faltam dados e pesquisas que relatam o alto nível de poluentes no ar, seja nos corredores de ônibus ou nas avenidas mais movimentadas das principais cidades. Fora desse meio, as emissões de poluentes também são graves. Engana-se quem acredita que a orla marítima inspira ar puro. A emissão de poluentes provocada por navios oceânicos é responsável por cerca de 60 mil mortes ao ano, conseqüências de doenças como câncer e problemas no coração – é o que afirma estudo realizado sobre o controle dos combustíveis.
Para se ter uma idéia, o estudo, publicado na “Environmental Science and Technology”, revista da Sociedade Norte-Americana de Química, mostra que os três portos mais movimentados do mundo – Xangai, Cingapura e Hong Kong, vão sofrer grande impacto com as emissões vindas dos navios, já que é um mito a idéia de que essas emissões permanecem nos oceanos e não chegam a terra. O fato de ocorrerem em alto-mar faz com que não haja controle acirrado quanto a poluição emitida. Isso sem contar os outros tipos de poluentes que podem afetar o oceano, pois muitas vezes, para manter o transporte marítimo limpo, acaba-se degradando o meio ambiente e prejudicando a saúde das pessoas em volta. Por conta disso, legislações ambientais e normas, como a ISO 9000 e ISO 14001, estão cada vez mais rígidas contra a emissão de poluentes através desses meios de transporte, incluindo aí as medidas da MARPOL – Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição Causada por Navios (leia mais no box).
As fontes de poluição geralmente variam de resíduos de material orgânico, sujeito a degradação por digestão aeróbia e anaeróbia, a metais pesados e resíduos radioativos, capazes de permanecer no meio ambiente por períodos bastante longos.
Dentro de transportes marítimos, há a contaminação por resíduos como águas gordurosas provenientes de cozinha, lavanderias, banheiros e drenos (conhecida como águas negras e águas cinzas); por partículas derivadas da incineração de lixo (onde emite-se CO e CO2); o próprio lixo sólido (na maioria resíduos orgânicos) e derivações da limpeza dos tanques.

Através dos motores e equipamentos
Além dos resíduos gerados do lixo, há a poluição através dos Acionadores Principais (motores diesel, turbinas a gás, caldeiras, entre outros) e os Sistemas de Geração de Eletricidade (motores de combustão auxiliares e turbogeradores a gás).
Dentro de uma embarcação, há preocupação para se trabalhar com os melhores sistemas de motores, direção e manufatura de guinchos.
Sistemas de refrigeração são desenvolvidos para a passagem de manufaturados gasosos e sistemas hidráulicos e geram soluções insubstituíveis em condições de dificuldade.
“As emissões em serviço dessas máquinas compreendem diversos óxidos, tais como COx (monóxido de carbono em particular), NOx (dióxido de nitrogênio, em particular), SOx (trióxido de enxofre, em particular) e hidrocarbonetos não-queimados”, explica Elson Ferreira Machado, Engenheiro da área de projeto de sistemas ambientais do CPN – Centro de Projetos de Navios da Marinha do Brasil, criado para cuidar da tarefa de projetar uma nova classe de navios e submarinos para utilização militar.
Para se ter idéia, esses são os gases mais difíceis para obter a redução de sua emissão, além do dióxido de carbono CO2, principal gás na queima de combustível e principal vilão para o meio ambiente, colaborando para a radical mudança climática do planeta. Poluentes como esses fazem parte de uma lista imensa de gases nocivos.
Filtros automáticos são normalmente localizados em módulos de impulso, geralmente a certa distância do motor. Nas aplicações marinhas futuras o espaço do motor será cada vez mais crítico e o sistema desenvolvido necessitará de filtros cada vez mais compactos e livres de vazamento, segundo informações da Parker-Hannifin que, em parceria com a Racor, fabrica filtros para transportes marítimos.
Por causa das ramonagens, limpeza dos tubos da fornalha de uma caldeira, há lançamento de resíduos de combustão também, assim como Emissões pelos Tubos Telescópicos, Madres do Leme e Madres das Aletas estabilizadoras, como esclarece Eng. Elson. “Essas emissões são fugas dos lubrificantes usados nesses itens. O projeto de lubrificação, normalmente prevê pressão positiva nesses itens, de forma a garantir que na eventualidade de uma deficiência nos selos associados, a água do mar não venha a ingressar e contaminar o sistema. O problema é que quando esses selos se danificam, o meio ambiente termina contaminado”, explica.
Filtros duplos foram desenvolvidos para garantir a operação contínua do direcionamento do motor e lubrificação dos sistemas, como especifica a Parker-Hannifin. Tal produto operado a 200 bar garante a operação contínua em sistemas de alta pressão. O filtro costuma ser uma ótima escolha para sistemas de pressão até 40 bar. Para sistemas de baixa pressão há outros modelos que podem ser especificados, com Elementos Filtrantes de Baixo Impacto no Ambiente – elementos a fim de reduzir o desperdício a bordo.
Em qualquer tipo de embarcação há uma extensa lista de filtros utilizados: alguns exemplos são os filtros tipo cesto-simples, filtros tipo cesto-duplo, filtro tipo caixa de lama, sistema de refrigeração de óleo, separação de óleo/água (podendo ter compressor a ar) e filtros de auto-limpeza.
João Francisco, do Estaleiro Aliança, empresa que constrói alguns tipos de embarcações à margem da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, comenta a importância dos filtros: “Eles são utilizados para prote ger os equipamentos de impurezas e podem ser de aço ou bronze, dependendo evidentemente do diâmetro, do fluido e classe de pressão. O elemento filtrante normalmente é de aço inox.”

Hidráulicos e Ar
Dentro de embarcações, há diversos pontos que necessitam de sistemas hidráulicos, como por exemplo, junto ao maquinário do convés – onde são necessários de guinchos para cargas, controles para âncoras, redes de pesca e aplicações em costas, sistemas de dispersão nas áreas internas do navio e nos sistemas manuais: controles de rampa e sistema hidráulico de controle para portas de balsa, citando dois exemplos.
Para essas e outras aplicações, filtros hidráulicos de alta pressão são utilizados em sistemas de segurança em costas marítimas, onde operações precisas são essenciais; e a linha de filtros de retorno, voltado para aplicações de alto fluxo como em balsas para carros ou passageiros, necessitando de muita precisão. Geralmente, a linha de retorno de filtração deve ser menor que 10 micra.

Mantas Filtrantes
A questão da poluição do ar parece que está começando a ser vista com mais prioridade no segmento, talvez até por conta dos altos números que as pesquisas têm revelado. Segundo Nilzo M. Schineider Junior, da Fornecedora de Navios Bandeirantes, distribuidora de produtos para navios, os materiais mais requisitados para a filtração são as mantas filtrantes, seguidas dos filtros para óleo do motor e combustível.
Essas mantas são utilizadas em sistemas de ar refrigerado dos navios, eliminando as impurezas, o que é costume hoje em dia nas embarcações, como exemplifica Nilzo: “Todos os navios possuem sistema de ar refrigerado central, ou seja, o ar refrigerado é distribuído para todo o navio por dutos de ar”.

Poluição por Óleo
Conforme o Anexo I da MARPOL, vários métodos são utilizados para separar o óleo da água das praças de máquinas em navios: Gravitacionais (diferença de peso específico / densidade), Centrífugos – hidrociclones, Coalescedores com módulos de membranas de ultrafiltração, turbo-separador, etc.
O óleo por si só está em diversos pontos dos transportes marítimos, inclusive se houver vazamentos eventuais, derramamento de óleo, manobra errada das válvulas ou falha no processo de recebimento e transferência do óleo.

Geração de Água Potável (Marítima e Fluvial)
“Também são utilizados métodos de geração deágua a bordo de navios através de equipamentos geradores de água doce ou desalinizadores (Sistema de Osmose Reversa) e Sistema de Potabilização de Água, onde o navio poderá operar em qualquer região sem necessitar de fontes externas”, conta o Eng. Elson.

Água de lastro

Um outro problema que começa a despertar a atenção inclusive de ambientalistas é a água de lastro (água captada pelo navio substituindo o peso da carga).
Uma grande embarcação pode carregar até 130
mil toneladas dessa água de um lugar para o outro. Como essa água salgada é captada na baía de origem, ela vem acompanhada de sedimentos, algas e diversos outros organismos, criando-se, a partir daí uma bioinvasão em nossas águas costeiras – já que a água carregada é de um ambiente diferente do nosso.
Diversos estudos e pesquisas, envolvendo métodos e tratamentos de filtragem, estão sendo realizados para tentar reverter o quadro.

Poluição por Esgotos
Entre derivados de lixo e resquícios das áreas da cozinha, banheiro, dutos, resíduos oleosos (esses podem ser retidos com um separador água-óleo nas praças de máquinas) e outros tipos contaminantes, há diversos tipos de esgotos que precisam ser tratados dentro das embarcações, segundo Anexos da MARPOL. As informações são do Eng. Elson, do CPN.
Biológico – Tanque de aeração que recebe o esgoto bruto, onde é misturado com lodos ativados e aerado continuamente com ar difuso, proveniente de
um soprador instalado na parte superior da Estação de Tratamento de Esgoto Eletrolítico – A eletroquímica pode oferecer opções viáveis para remediar problemas ambientais, particularmente de efluentes aquosos. A tecnologia eletrolítica oxida e desinfeta a corrente de dejetos mediante o uso de processo eletroquímico. CHT – Baseia-se na coleta, armazenamento e descarga de toda água servida gerada no navio para o mar em emergência ou facilidades no porto. É um sistema onde não acontece tratamento de esgoto.
O armazenamento é feito por meio de tanques sépticos, fazendo-se necessária a instalação de um sistema de aeração, prevenindo a criação de bactérias anaeróbias, podendo ser aplicado de duas maneiras: com Sistema de Aspiração de Ar ou de Ar Comprimido.
Eletrofloculação – Sistema que utiliza dois processos de tratamento físico-químico e biológico. Consiste na simples passagem da corrente elétrica contínua através de eletrodos (ferro e/ou alumínio) imersos no efluente, passando posteriormente por um decantador.

As substâncias em suspensão e dissolvidas são aglutinadas com a formação de flocos de hidróxidos e a dissociação eletrolítica, aderindo aos flocos, possibilitando serem facilmente removidas da água por meio de filtração.
Os flocos serão prensados formando uma “torta” posteriormente para descarte. Enquanto o líquido sofrerá posterior desinfecção por ultravioleta e/ou ozonização.
Físico-Químico – Esse sistema coleta o esgoto bruto e separa por meio de grades os sólidos dos líquidos, armazena os sólidos para futura deposição, desinfeta o líquido remanescente por meio de cloração ou outro produto químico para descarregá-lo posteriormente.
Bio-reator – O módulo de membrana é o elemento básico de um sistema que congrega todas as estruturas necessárias para viabilizar a operação da membrana como unidade de tratamento e separação.
O módulo contém vários elementos como: membranas, estrutura de suporte da pressão, do vácuo ou da corrente elétrica aplicados ao sistema, canais de alimentação e remoção do permeado e do concentrado.
Eng. Elson comenta a importância da CNP e, consequentemente, da Marinha com o tratamento desses poluentes. “Um fator que sugere que as Marinhas devem se preocupar com as emissões poluentes é o “exemplo”. Na maior parte dos países, as Marinhas de Guerra são coparticipantes ou mesmo atores principais na fiscalização e repressão da poluição decorrente do tráfego aquaviário marítimo ou interior”, explica.
Levantamento de dados, estudos e avaliações devem ser realizados para definir a estratégia de gerenciamento de resíduos. “As instalações para recepção dos resíduos gerados em navios podem ser integradas aos processos normais de gerenciamento de resíduos em terra. Isso muitas vezes trará um custo relativamente baixo”, comenta.
Nilzo M. Schineider Junior, da Fornecedora de Navios Bandeirantes, confirma a tendência:
“Pelo menos os navios que atendemos sempre têm a preocupação de trocar os filtros periodicamente, e mesmo os navios que não se encontram em boas condições sofrem uma rigorosa inspeção das autoridades marítimas, sendo assim obrigados a manterem o nível de funcionamento em condições satisfatórias”.

Fonte: Revista Portal Meio Filtrante

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