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Reapareceu o mico na construção naval

Uma geração de brasileiros já pagou por dois planos fracassados, o terceiro vai pelo mesmo caminho.

Nos últimos 60 anos, a Viúva financiou três grandes planos de construção naval. Os dois primeiros, nos governos JK e Geisel, foram à garra. O terceiro, de Lula, vai pelo mesmo caminho. Se o rumo não for corrigido, uma geração de brasileiros será tricampeã de um mesmo mico.

Em 2003, depois de 20 anos de estagnação, a indústria naval brasileira foi anabolizada (revitalizada, na linguagem oficial), tornou-se a sexta do mundo, um negócio de US$ 50 bilhões que emprega 45 mil trabalhadores.

De cada 10 operários, 8 trabalham para encomendas da Petrobras. Tudo bem, mas um navio que custa US$ 60 milhões em Pindorama sai por US$ 35 milhões em outros países. Preço errado é veneno. Mais cedo ou mais tarde o mercado traz a conta. A Vale, que não é boba, contrata navios na China.

O plano de JK foi à garra quebrando marcas de renome, como a Verolme e a Ishikawajima. Teve uma virtude: quem quebrou, quebrou.

No governo Castello Branco, a professora Maria da Conceição Tavares viu o ministro Octavio Gouvea de Bulhões mandar a Verolme passear.

Na ruína do plano dos anos 70, a coisa foi diferente. A Superintendência Nacional da Marinha Mercante garantiu empréstimos a estaleiros quebrados, eles não construíram os navios nem pagaram as dívidas. Passou o tempo e surgiu a expressão “papéis podres”. Designavam títulos garantidos pelo Governo que valiam zero.

No mandarinato de Itamar Franco, aceitaram-se esses papéis como moeda corrente para a compra de empresas estatais. Bingo, nascera a privataria. O banco Bozano Simonsen tinha algo como US$ 1,7 bilhão em “papéis podres” e seu dono, Julio Bozano, comprou a siderúrgica de Tubarão, a Usiminas e a Embraer. De náufrago da Sunaman passou a barão do aço. Hoje é o 960º homem mais rico do mundo, com US$ 1,3 bilhão. A Viúva vendeu patrimônio para quitar um plano ruinoso e, com dívidas ruins, empresários compraram estatais boas.

Na outra ponta do balcão, aconteciam gracinhas: um dono de estaleiro, associado a um diretor da Sunaman, lançou um prédio na zona sul do Rio. Entre os compradores dos apartamentos, estavam dois diretores da superintendência e um ex-ministro.

Graças à iniciativa de Lula, o Brasil voltou a ter uma indústria naval que constrói navios e plataformas para a Petrobras. O pedaço da grã-finagem que estava apensa aos negócios desse setor foi substituído por sindicalistas.

O metalúrgico Luiz Sérgio, Presidente do Sindicato de Angra dos Reis, onde ficava a Verolme, tornou-se Deputado, Ministro da Coordenação Política e, posteriormente, da Pesca. Passou a arrecadar doações legais para suas campanhas no novo setor naval.

Passados oito anos, mesmo com os juros camaradas do BNDES, os custos da indústria naval continuam altos. Um navio pode ser oferecido por US$ 80 milhões à Transpetro, enquanto outro, semelhante, é proposto à Petrobras por US$ 60 milhões.

Um estaleiro que não cumpriu seus compromissos renegociou a dívida com o BNDES e fatura alugando suas instalações. No campo das gracinhas, a Polícia Federal, com a ajuda da Petrobras, estourou uma quadrilha de fraudadores de licitações de plataformas. Um gerente de reparos ganhou um Audi e duas viagens aos exterior. Aquilo que o PAC chama de estaleiro Jurong Aracruz, no Espírito Santo, ainda é um matagal.

A joia da coroa dessa nova política foi a construção, em Suape (PE), do estaleiro Atlântico Sul, o maior do país. Em 2007, Lula assinou o contrato de encomenda de dez navios para a Transpetro, parte de um contrato de 22 embarcações, ao preço de R$ 7 bilhões. Era novo, tinha a apoio da Samsung coreana e o respaldo de grandes empreiteiras nacionais.

Cinco anos depois, vai devagar, com serviços atrasados. Seu festejado “João Cândido”, lançado ao mar por Lula em 2010, continua lá, com problemas na estrutura. Quem sabia fazer navio era a Samsung, mas as empreiteiras deixaram-na com 6% do negócio. Agora o Governo quer que ela controle o estaleiro.

Leia a matéria na íntegra : Aqui !  

Com as informações: Folha de São Paulo

Fontes: Agência de Notícias do DPF

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