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Cem anos do Titanic: 13 de Abril de 1912

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08h:30: Anunciado o desjejum.

09h:00: Mensagem recebida informa que o Rappahannock, da Furness Withy Line, de Liverpool, sofreu danos no leme ao cruzar campo de gelo.

10h:3o: Inspeção do capitão e auxiliares. Da casa de máquinas, Bell comunica: o fogo está debelado, mas uma das paredes da carvoeira, que é também uma antepara, foi afetada. Tamanho é o calor lá embaixo que os homens trabalham seminus e numa atmosfera densa de pó de carvão.

12h:00: O Titanic nas últimas 24h, deixou para trás 835 km com tempo claro, limpo e mar sereno, mas avisos sobre gelo, comuns nesta época, são recebidos. Os passageiros reportam o mínimo de barulho ou vibrações no navio. Com as 24 principais caldeiras ativadas, avança a 21 nós. Anunciado o almoço

16h:35: Mensagem do Californian, da Leyland Line, comandado pelo capitão Stanley Lord. Reporta que o Caronia, da Cunard, sob o comando do Capitão Barr, acusa icebergs na latitude 42° Norte e longitude 40°51’ Oeste

22h:30: O Titanic cruza com o Rappahannock, e este, que não dispõe de radiotelegrafia, alerta pela lâmpada Morse: “Passamos por gelo pesado e diversos icebergs”. O Titanic responde: “Mensagem recebida. Muito obrigado. Boa noite”. Adiante, o navio enfrenta dez minutos de densa neblina.
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Além das dimensões gigantescas , o maior navio até então construído era um autêntico paraíso de luxo flutuante, numa viagem de prazer e ostentação destinada a realizar o maior sonho das suas vidas e garantia o armador, com condições de segurança tão avançadas que faziam do Titanic um barco “inafundável”. Tudo isso, claro, desde que pudessem pagar um bilhete de primeira classe, cujos preços oscilavam entre 23 libras (hoje seriam cerca de 2020 euros) e 870 libras (76 500 euros, a preços atuais) – os valores variavam muito em função da localização, tamanho e caraterísticas dos camarotes.

Enquanto as senhoras preferiam reunir-se para conversar no salão da primeira classe, entre móveis, estofos e tapetes luxuosos, os homens passavam mais tempo nas salas de fumo, apaineladas com madeiras exóticas.

A sala de leitura foi um espaço projetado para que as mulheres pudessem ler e escrever a bordo. Tinha uma grande janela, com vista para o tombadilho, e uma lareira luxuosa.

Até a sala comum da terceira classe era decorada com esmero, forrada a pinho e com móveis de teca. Uma das inovações do Titanic eram os camarotes de terceira classe, com dois ou quatro beliches, instalados nas zonas da proa e da popa, em vez das tradicionais camarotes que os outros transatlânticos reservavam aos passageiros menos abonados, como os portugueses que embarcaram no Titanic que faziam parte da clientela emigrante que a companhia White Star Line pretendia atrair, um nicho de negócio muito lucrativo na época.

As suites dos milionários

O suprassumo do luxo eram as chamadas “suites dos milionários”, as instalações mais caras do navio. Os requisitos da “lista de alojamentos” ocupavam 120 das 300 páginas do caderno de encargos do Titanic entregue pela White Star aos estaleiros Harland & Wolff, em Belfast, na Irlanda do Norte, onde o navio foi construído. Aí estavam descritas as duas suites mais luxuosas da coberta  B51, a estibordo, e B52, a bombordo.

Ambas tinham, além dos quartos, uma área de passeio privativa ao longo dos 15 metros de comprimento da suite, com janelas viradas para o mar. O preço incluía um camarote interior, para a criadagem, dois quartos e um salão, um toucador e duas salas de vestir entre os quartos. O salão ficava num dos extremos, junto à entrada da primeira classe. Havia ainda um radiador elétrico e o chão era alcatifado em moqueta azul.

Os lambris, a decoração e o estilo das mobílias podiam variar, por indicação da White Star. Além da casa de banho – com banheira, duche, lavatório, sanita com tampa revestida e radiador elétrico – havia também um WC simples. O chão da casa de banho, do WC e do corredor de comunicação entre ambas as instalações sanitárias era de linóleo em xadrez.

Sala de estar da Cabine B52 ocupada por Joseph Bruce Ismay, o "dono" do Titanic na qualidade de diretor-geral da White Star Line

Ismay entrou num dos últimos botes salva-vidas a deixar o Titanic e sobreviveu e deixou mais de 1500 pessoas para trás para morrer.

A segurança no ” inafundável”

Salva-Vidas

  •  Botes: 20 (Total). Todos com sistema de desengate Murray para soltar ambos os lados juntos:
  •  14 botes de madeira: 9,14 m (comprimento), 2,77 m (largura) e 1,2 m (profundidade). Capacidade para 65 pessoas. – 2 escaleres de madeira:- 7,68 m (comprimento), 2,19 m (largura) e 0,91 m (profundidade). Capacidade para 40 pessoas.
  •  4 botes desmontáveis Englehardt: 8,34 m (comprimento), 2,43 m (largura) e 0,91 m (profundidade). Capacidade 47 pessoas.

Capacidade total: 1.178 pessoas

  • Coletes: 3.560
  •  Bóias: 49

Durante a fase de concepção do Titanic, a capacidade dos botes salva-vidas ocupou apenas dez minutos das discussões, enquanto a decoração do navio consumiu de quatro a cinco horas. De acordo com as normas de segurança da época, o Titanic só tinha botes salva-vidas suficientes para transportar 962 pessoas (ou 53 % da capacidade total da embarcação).

Continua!

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