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Mulheres no poder marítimo

por Erik Azevedo

Conversei com algumas colegas, à respeito do trabalho, e tivemos algumas opiniões de mulheres que são bem sucedidas profissionais do mar.
 
São quatro colegas, uma Chefe de cozinha de um AHTS, uma Maquinista de um FPSO, uma Comandante de supridores (PSV), e uma Mestre de rebocador portuário. Cada uma fala um pouco sobre suas realidades, desafios e opiniões particulares.
 Fábia De Carvalho Ela descreve um pouco sobre seu dia a dia no comandando de um PSV, ela mesmo narra: ” Para min, além da responsabilidade para com a tripulação, também à o zelo com o patrimônio da empresa.”
Normalmente, tem a parte burocrática, que mesmo dividida com o Imediato, tenho a responsabilidade de revisar e assinar tudo. Ela continua, a descrever suas responsabilidades – “rondas diárias por toda a embarcação, para ver o andamento do serviço de cada tripulante. E ainda as manobras nas plataformas”.
 
A Comandante Fábia fala um pouco também sobre preconceito – “Hoje em dia está bem melhor, mas de vez em quando surge um que me olha torto quando me apresento como comandante, mas levo na esportiva, desde que não me falte com o respeito.
Ela modestamente afirma que “ainda tenho muito o que aprender, mas tive ótimos comandantes que me ensinaram bem, agora é só questão de tempo para aperfeiçoar”.
Quando conversamos um pouco sobre casos de indisciplina a bordo ela deixa sua opinião; “sim, algumas vezes ocorre, e realmente é muito desgastante, chamar a atenção de uma pessoa que tem a idade de ser seu pai!
E  quando perguntada sobre o  papel da mulher hoje na indústria marítima, ela de forma madura afirma; “acho que a mulher pode desempenhar qualquer papel, tudo vai da postura de cada uma.

E sobre trabalho com estrangeiros ela tem sua experiencia particular; “Eu não tenho do que reclamar, tanto os americanos, poloneses e norueguese com quem trabalhei, sempre foram muito compreensivos. E não tivemos grandes dificuldades”.

Raquel Gaspar– Ela é maquinista em uma unidade de produção de petróleo flutuante, trabalha duro em uma grande praça de máquinas, e também no top side da unidade que é enorme, Raquel descreve um pouco sobre as dificuldades que enfrenta em relação ao fato de ser mulher e Oficial de Máquinas, num ambiente de predominância masculina, ela prossegue:
“Sei que para muitos pode ser difícil aceitar uma mulher ainda mais na minha função como oficial. A questão é que me preparei para isso, fiz curso técnico, depois entrei na EFOMM e ainda consegui concluir minha faculdade de engenharia depois que sai da EFOMM, pois quando adolescente tinha o sonho de ser engenheira, mas nunca tive condições. A dificuldade que encontro é de ser aceita inicialmente, pois quando olham para mim, não estão olhando meu lado profissional, mas sim a imagem da mulher a bordo, por acharem um sexo frágil e talvez acharem que não posso saber tecnicamente tanto quanto muitos homens da mesma área.”

 Raquel sobriamente descreve seu ponto de vista sobre preconceito e valorização profissional da mulher a bordo.

“Acho que primeiramente deveria mudar a cultura do povo brasileiro, que sempre acham que a mulher não tem capacidade profissional e emocional para suportar as condições que essa profissão nos impõe. A mulher brasileira está a muito pouco tempo na marinha mercante, mas desde então enfrenta problemas com relação a aceitação a bordo e no mercado de trabalho. Devido a mentalidade de alguns da tal “velha guarda” a bordo que ainda existem em muitas empresas.”

Lissa Mattos – Essa moça é chefe de cozinha formada, com bastante experiencia em navios de cruzeiros, e hoje é Cozinheira em um AHTS com tripulação internacional, neste bate papo, ela mostra um lado que é um pouco esquecido a bordo, que são as opiniões dos profissionais para melhoria continua.
Para ela a “convivência é tranquila, o pessoal me respeita muito e me dá retorno sobre meu trabalho, apesar de ter embarcado poucas vezes neste navio, nao tive nenhum inconveniente”.

Porem quando conversamos sobre os tempos em navios de cruzeiro ela revela – “olha em navio de cruzeiro tive alguns probleminhas sim, como assedio e um pouco de discriminação por ser mulher”. Mas no AHTS que hoje ela se encontra, segundo ela há pequenas coisas que poderiam melhorar, como rancho entregue em quantidades desproporcionais, alguns aspectos ligados a ergonomia, e espaços nestas embarcações, mas no geral ela esta sempre satisfeita com seu trabalho, e com a tripulação que aprecia bastante seus pratos.

Lissa ainda é bem jovem e espera desafios para sua carreira como ela mesma planeja. “Eu espero crescer muito lá, e melhorar meu trabalho, sei q melhorando meu trabalho eu aprendendo mais, posso oferecer muito mais para empresa…” ela continua, “esse ano ainda pretendo estudar francês e iniciar alguma especialização em gestão”. Ela conclui: “Pois é…a gente abdica de algumas coisas na vida, mas no fim do dia é tão bom, saber que fez seu melhor, e que ficaram satisfeitos com o meu trabalho”.

 Juliana Peranzzetta – Mestre de rebocador portuário, ela conta um pouco da sua vida marítima, e reconhece o apoio que teve dos colegas mais experientes que a ensinaram o trabalho. “Por intermédio do meu noivo, fui apresentada ao ramo sem ao menos saber o que era um rebocador! Por ter formação técnica em informática, conseguimos uma indicação para fazer o CAAQ-C no ano de 2010. Aí começou minha paixão!”

“Terminei o curso e logo em seguida consegui a praticagem na Camorim, onde estagiei no rebocador C-Brilhante, em Sepetiba. Logo no primeiro dia fui super bem recebida por toda a tripulação!”. Reconhecimento aos colegas é demonstrando pelas palavras dela: “O comandante da embarcação, MCB Pedrinho, me disponibilizou seu próprio camarote, já que nele havia banheiro privativo. Segundo ele, assim eu teria mais liberdade e conforto durante minha estadia. Isso realmente ajudou muito já que haviam muitas manobras durante a madrugada…” “Sou muito grata a ele por isso até hoje! Fui muito respeitada durante toda minha praticagem”. Quando falamos sobre discriminação a bordo, ela revela que: “Em momento algum sofri qualquer tipo de recriminação a bordo. Em nenhuma das duas tripulações, que alguns mantenho contato até hoje! Falando na segunda tripulação, nela conheci o MCB Carlinhos. Esse literalmente me iniciou nas manobras! Não me deixou mais levantar da cadeira a partir do momento que, segundo ele, viu que eu tinha jeito para a coisa. Rsrs. Serei eternamente grata a ambos os comandantes por terem me iniciado na função com tanta boa vontade…”

Após o término da praticagem, fui indicada pelo MCB Carlinhos à minha atual empresa, Boskalis Smit. Foi ele quem me falou sobre a intenção da empresa de formar uma tripulação femina. Fui muito bem recebida no escritório e após algumas entrevistas, consegui a tão almejada vaga! Acreditem se quiserem: mas entre a praticagem e a vaga, fiquei somente 1 mês parada!

“A tripulação na Smit, como todos sabem, é reduzida. Sendo assim, cada tripulante fica em um camarote. Ao embarcar, fui informada de que ficaria sozinha em um camarote e que o outro tripulante, no caso o MNC, pularia para o camarote do CDM. Pra dizer a verdade, não me senti muito bem com isso…”

Ela da a receita da boa convivência e respeito mútuo a bordo: “Quando entrei nesse ramo sabia exatamente as dificuldades que encontraria com relação às acomodações. Acredito que se há respeito, não será dormindo no beliche ou no camarote ao lado que o mesmo acabaria. Creio que a mulher tem que se fazer respeitar em qualquer ramo profissional. Agindo assim, com cada um fazendo o seu a bordo, não tem o porque de haver problemas. E se houver, os gerentes estão aí para isso!”

Juliana é pragmática com as palavras: “Vocês devem estar pensando: mas ela é positiva demais… Tá nova no ramo e ainda tem muito o que passar a bordo. Concordo! Tenho sim muito o que passar a bordo, mas também já senti o preconceito e a indiferença na pele! O que penso sobre isso? Que encontrei os mesmos sentimentos em terra e nem por isso me enclausurei!!!” Acima de tudo sou profissional e estou aqui simplesmente para fazer o meu!!!

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Hoje torcendo o nariz ou não nossas valorosas colegas vieram para ficar, assim como as mulheres estão no mar à séculos em outras nações e já provaram seu valor.

www.blogmercante.com

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