• Univali

  • Seja você também um profissional da construção naval!

  • Curta nossa FanPage

  • Equipe Ubá Suy Aram

    Desafio Solar Brasil

  • ANI

  • Livro de Regras ABS

    ABS - 2008
  • Principais Estaleiros no Mundo

  • Programação de Navios

    Programação de Navios
  • Arquivos

Cemitério de navios – Toda verdade em um filme sobre Alang

Por Erik Azevedo

Uma reportagem investigativa em português, feita por uma equipe da TV portuguesa, viajou até a Índia e Paquistão, e mostra toda a verdade que tentam esconder. “Aqui é proibido fotografar ou filmar” – diz um agente de segurança numa praia tomada de cascos e restos de navios em Alang Índia, a equipe é convidada à se retirar do local, visitantes não são bem vindos nestes locais. A equipe de longe tenta mostrar algo que fazem questão de esconder. Ao fundo o famoso navio de cruzeiros Norway (ex France), ele havia sido rejeitado em Bangladesh, as autoridades locais não aceitaram que ele fosse desmanchado por lá.

O France construído em 1962, foi o maior navio do seu tempo e o mais luxuoso, era o orgulho da Marinha Mercante francesa.

Porem na Índia a força dos sucateiros foi maior, não conseguiram impedir que grupos ambientalistas e dos direitos humanos e dos trabalhadores embargassem o corte do navio nas praias de Alang. Todos os anos centenas de navios varam as praias da Índia, Bangladesh e Paquistão, custa apenas 100 vezes menos cortar um navio nestes lugares, ao invés de faze lo nos EUA, ou Europa, aonde há leis ambientais pesadas, sindicatos e mão de obra “cara”.

ex France, varado em Alang, seu ultimo nome foi Norway fez muito sucesso com este nome, foi um navio que marcou época, um triste fim, mas sem qualquer importância para os sucateiros indianos.

O negócio do desmanche de navios é bilionário, tudo começa através de corretores de navios (brokers) que anunciam os navios destinados ao corte, geralmente navios com problemas nas máquinas, ou com todos os certificados já vencidos, ou com problemas estruturais graves. Sucateiros compram em leilões estes navios as vezes aos lotes, estes shipbreakers fazem fortuna com o negócio, compram navios por preços bem baixo, as vezes mais baixo do que a cotação da tonelada do aço. Uma vez desmanchados, tudo é reaproveitado! Os cabos elétricos são reciclados, motores, bombas válvulas, geradores, peças dos motores e máquinas, são revendidos para estaleiros na China, aonde serão remanufaturados e montados em “novos” navios Made in China. O resto do aço é vendido para siderúrgicas. Nesta operação toda, o lucro é enorme, de 3 à 4 vezes o valor pago no “navio”. Porem nesta operação toda, produtos químicos, materiais contaminados, amianto (toneladas de amianto), não recebem destinação correta, e nem há qualquer manuseio seguro destes materiais altamente tóxicos presentes em navios. Milhares de trabalhadores e grande parte são crianças, são expostas à todo tipo de risco, o filme destaca isto, o drama social envolvido. ” Se não for morrer no desmanche, a gente morre de fome” – Diz um trabalhador. Na reportagem é mostrada uma aldeia em que todas as famílias à casos de morte ou mutilação de parentes.

Os trabalhadores não tem qualquer registro, muita gente morre, e os corpos nunca foram encontrados. Vemos no filme uma cena em que um capataz da um tapa na cara de um adolescente, os trabalhadores são tratados em condições de escravidão, não tem direito à pausas ou qualquer benefício ou indenização legal, em caso de morte ou mutilação. Unica parte do casco que restou do histórico S/S France ex Norway, foi o bico de proa, que foi despachado de Alang para Paris, e se encontra em uma praça em memória do navio que levava o orgulho frances.

“Quando morre alguém durante o desmanche, eles jogam o corpo no mar, as vezes com um pedaço de chapa amarrado para o corpo afundar, muitas vezes esqueletos são encontrados na água, ninguém se importa com isso aqui” – Diz um pescador, que afirma já ter pescado corpos.”

 O filme a baixo mostra de forma bem real e clara o drama social da qual a indústria marítima se recusa a enxergar.

www.blogmercante.com

Uma resposta

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: