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VLCC – “Ecológico” movido a gás

por Erik Azevedo

A chamada tecnologia “verde”, vem crescendo a cada dia mais, e hoje ela tem chegado também na indústria marítima, e isto tem empurrado os desenvolvedores de projetos e sociedades classificadoras para adequar seus projetos e padrões para as novas exigências ambientais que virão em breve.

Segundo informe da própria DNV, este tipo de navio “verde”, irá deixar de expelir grandes quantidades de gases poluentes na atmosfera, pois o Gás Natural é praticamente limpo, o que irá representar um grande passo para o meio ambiente e trará uma nova era nos transportes marítimos.

“A concepção deste projeto se baseia em um navio convencional, com a diferença que foi levado em consideração o lado do meio ambiente, e econômico também, daí nasceu o  ‘VLCC Triality’, que promete ser um sucesso”. – Torill Grimstad Osberg desenvolvedora do projeto VLCC Triality é a “mãe” da criança. Ela é especialista em sistemas de propulsão à gás de navios, e sistemas de tanques de carga de navios.

Será mesmo o fim da fumaça preta?

Este novo projeto alcança três grandes objetivos:

-Ambientalmente superior em comparação com um navio tanque convencional.

-É uma nova solução flexível, baseada em uma tecnologia que já é dominada.

-E o custo de financiamento e operação ser muito atrativo se comparado aos navios tanques que queimam Óleo Pesado.

Daí a origem do nome “Triality”.

O presidente da DNV o Sr. Henrik O. Madsen, apresentou este mês o novo conceito de VLCC em  Londres disse: “ Eu estou convencido que o uso do gás irá no futuro próximo ser o combustível que será amplamente usado por navios, eu acredito que até o ano 2020, a maioria dos armadores irá preferir encomendar navios movidos à LNG.  E a DNV como sociedade classificadora líder no mercado tem um importante papel, por ter participado no desenvolvimento desta tecnologia mais ambientalmente amigável para a indústria marítima, ‘e me sinto orgulhoso com isto tudo’ – ele continua-  e por esta tecnologia poder ter alcançado os navios VLCC , oque é uma grande inovação para os dias de hoje”.

Menos danos ao meio ambiente

O conceito do VLCC Triality quando comparado à um VLCC convencional que queima óleo pesado, tem os seguintes números.

Para isto foram comparados 2 navios com mesmo raio de alcance operacional operando numa mesma linha, para efeito de comparação, um deles é um VLCC convecional e o outro um navio conceito “Triality”.

Teremos:

-Emissão de menos 34% de CO2 na atmosfera.

-Eliminação da necessidade de uso de água de lastro.

-Eliminação do uso de ventilação por vapores de carga (COV).

-Uso de menos de 25% de energia, o que afeta diretamente a vida de populações em cidades portuárias, o que reduz para menos de 80% as emissões de NOx (Dióxido de Carbono), e para menos de 95% de partículas de SOx (Dióxido de Enxofre).

Máquinas ecológicas

O novo conceito de VLCC será propulsionado por um sistema inovador, ele será em baixa velocidade um navio bi-combustível, pois será usado para a chama piloto Marine Gasóleo, e para velocidade maior será usado apenas o LNG, e no futuro será desenvolvido um sistema que somente consumirá LNG e outro para bi-combustível para máquinas de média velocidade.

Este novo projeto irá usar 2 MCP’s  da MAN B&W, motores eletrônicos de ultima geração movidos tanto por óleo pesado quanto por LNG.

Segundo a MAN, esta máquina será apenas startada com óleo e após estiver totalmente pronta, é passado para o consumo de LNG.

Sistema de alimentação por LGN em baixa temperatura

Armazenamento do LNG

Ele será armazenado em 2 tanques de pressão IMO classe C, capazes de armazenar 13 500 m³ de LNG, o que seria bastante para uma autonomia operacional de 25 000 milhas náuticas.

Serão condicionados no convés principal logo a vante da superestrutura do navio.

Geração de energia

Toda energia gerada será por meio de geradores movidos a bi-combustível (LNG e marine gas oil), e enquanto que caldeiras auxiliares irão prover com vapor as bombas de carga, e bombas recuperadores de vapor de carga (VOC’s) .

Sem lastro

É difícil de imaginar um navio tanque que opere sem necessidade de uso de água de lastro. Pois então este navio não irá usar qualquer água de lastro.

E bem sabemos que navios tanque necessitam de lastro em pelo menos duas ocasiões, quando navega com calado de trânsito, e quando esta descarregando, pois precisa manter o navio ligeiramente trimado, e evitar também danos a estrutura do navio.

Arranjo dos tanques do VLCC – sem tanques de lastro

Enquanto que um tradicional navio tanque VLCC, necessita de um calado de transito quando navegando descarregado, para obter uma melhor imersão do hélice e manter uma boa estabilidade, e por isso necessita de um Trim equilibrado, para evitar também ficar “batendo lata”. O novo conceito de navio possui um casco em “V” já batizado de V-shaped hull, e com novos arranjos de tanques de carga, para este novo tipo de casco, que eliminará a necessidade de uso de água de lastro para esta versão de VLCC. Este novo conceito de navio também irá chegar para seus irmãos menores como Suezmax, Aframax, e outros tipos de navios menores que necessitam de usar água de lastro.

Este novo tipo de casco, reduz a superfície em contato com a água, e numa viajem carregado ele tem um menor coeficiente de bloco, e portanto é um casco muito mais eficiente em se tratando da relação de consumo de energia para move lo.

Enquanto que um VLCC comum com calado de transito, normalmente carrega entre 80 mil a 100 mil toneladas de água do mar, que contem organismos que podem causar sérios danos ao ecossistema, quando descarregada esta água em portos estranhos aos microrganismos.

Dimensões


Outro fator muito interessante é a economia a longo prazo para o armador, pois um navio tradicional necessita de consumir uma grande quantidade de combustível mesmo quando em calado de transito por causa da grande quantidade de água transportada, e além do mais menor custo com manutenção de tanques, pois este novo navio não haverá necessidade de tratamento de tanques para água de lastro, oque a médio e longo prazo é uma grande economia operacional.

O VLCC Trialidade poderá coletar e liquefazer mais de 500 toneladas de vapores de carga durante uma viagem de ida e volta. Estes gases de petróleo liquefeito, então, serão armazenados nos tanques do convés ( deck tanks) e até a metade do gás, será utilizada como combustível para as caldeiras durante a descarga da carga, enquanto o restante pode ser devolvido para os tanques de carga ou entregue para o terminal durante a descarga de óleo.

Ambientalmente é um navio muito superior e o custo adicional para construção de um navio destes à médio prazo tem um ganho operacional em relação aos navios convencionais. Segundo Henrik O. Madsen, a conclusão é obvia: ” É possível desenvolver um navio ambientalmente superior e ser lucrativo ao mesmo tempo. A nossa melhor estimativa é de uma despesa de capital adicional de 10-15%  para uma construção de novos navios VLCC Triality se comparado a um VLCC tradicional. Mesmo com esse custo extra incluído, estimamos uma redução do custo do ciclo de vida igual a 25% do custo de construção de novos navios para um VLCC tradicional”.

 O presidente da DNV- Henrik Madsen e a engenheira mãe do projeto Triality -Torill Grimsad Oseberg – image © DNV/Making Waves

 “O Triality é um conceito de embarcação que irá modificar os padrões da industria marítima, e os construtores irão se adequar a esta nova realidade em breve, e antes que o primeiro navio começar a ser construído neste novo conceito. O Triality contem equipamentos e sistemas que já conhecidos e dominados pela industria, portanto não será necessário muito esforço para introdução destes padrões na industria marítima e da construção naval. E estou convicto que o Triality irá criar um grande interesse nos construtores navais e armadores de navios tanques, e o primeiro navio Triality estará no mar em 2014″ – Conclui o presidente da DNV Henrik O. Madsen.

Referencias: DNV, Marine Log

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“O crime do rico a lei o cobre, e o Estado esmaga o oprimido. Não há direito para o pobre.  Ao rico, tudo é permitido” – Martins Pena, patrono da Academia Brasileira de Letras.

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