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Navios de Cruzeiro sem geradores de reserva preocupa turistas

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Está ficando rotineiro. Quando o navio de cruzeiro foi rebocado até o porto, as horas infindáveis dos passageiros dormindo no convés, sem eletricidade nem banheiro, finalmente chegaram ao fim.

Foi um inferno dos diabos’, disse Bernice Spreckman, 77 anos, de Yonkers, estado de Nova York. ‘Usei meu colete salva-vidas, que tinha uma luzinha piscando, para achar um banheiro, de tão escuro que estava.’

Spreckman não estava entre as 4.200 pessoas a bordo do Carnival Triumph, em fevereiro, que aguentaram cinco dias de carpetes encharcados de esgoto e sanduíches de ketchup. Sua experiência no mar se deu em 2010, em outro navio da Carnival Cruises, o Splendor, que transportava 4.500 passageiros.

Nos dois casos, aconteceram incêndios nos conveses inferiores, destruindo os sistemas elétricos. O inquérito preliminar da Guarda Costeira sobre o Splendor constatou falhas gritantes nas operações de combate a incêndio, incluindo manuais pedindo para os tripulantes ‘puxarem’ válvulas que deveriam ser giradas.

Porém, passados mais de dois anos daquele episódio, o relatório final sobre o que aconteceu no Splendor ainda não foi concluído, um reflexo do que os críticos afirmam ser o padrão da roleta regulatória internacional a determinar a segurança dos navios de cruzeiro.

Embora o Splendor operasse nos Estados Unidos, o navio estava legalmente registrado no Panamá, ou seja, a Autoridade Marinha Panamenha tinha o direito de conduzir a investigação. Porém, após o incêndio de 2010, os reguladores panamenhos decidiram que a Guarda Costeira assumisse o inquérito. Então, agentes dos dois países teriam passado meses trocando esboços dos relatórios.

Segundo um agente do Panamá, a agência completou a análise do relatório do Splendor em outubro de 2012. Contudo, a porta-voz da Guarda Costeira, Lisa Novak, declarou que o relatório ainda não havia sido ‘finalizado’. No caso do Carnival Triumph, o espetáculo regulatório será despachado para as Bahamas, onde o navio está registrado.

Em carta recente à Guarda Costeira, o senador norte-americano Jay Rockefeller, de Virgínia Ocidental, afirmou que os navios de cruzeiro pareciam ter duas vidas separadas. Somente nos dias próximos ao porto eles são monitorados de perto.

‘Depois que estão a três milhas náuticas da costa, o mundo é deles’, disse a carta do senador, que recentemente chefiou investigações do Senado quanto à segurança dos navios de cruzeiro.

Representantes do setor de cruzeiros assinalam que férias no mar são extremamente seguras e que aproximadamente 20 milhões de pessoas zarpam anualmente, com poucos problemas. A exceção mais flagrante conhecida aconteceu no ano passando quando um barco operado por uma subsidiária da Carnival, o Costa Concordia, encalhou na costa da Itália, resultando em 32 mortes.No caso do Triumph, a Guarda Costeira tem dito que o equipamento de segurança do navio conteve as chamas. E tanto o Triumph quanto o Splendor voltaram das viagens abreviadas sem ferimentos sérios nos passageiros ou tripulantes.

Porém, esses sucessos também ressaltam o que a maioria dos turistas não percebe ao reservar um cruzeiro: praticamente nenhum dos navios têm sistemas reservas para ajudá-los a voltar ao porto se terminar a energia porque as operadoras teriam de gastar mais dinheiro em sua instalação.

O resultado são episódios seguidos envolvendo navios parados, com todos os desconfortos e perigos potenciais causados por essas situações. Em outro caso, no final de 2012, o navio de cruzeiro Costa, embarcação irmã do Concordia, ficou sem energia após incêndio na sala dos geradores e precisou ser rebocado sob guarda de sua localização no Oceano Índico.

De acordo com especialistas, de muitas formas, os passageiros a bordo de navios como o Triumph e o Splendor tiveram sorte porque estes foram incapacitados sob clima calmo, não durante tempestades, em pleno alto-mar ou em águas infestadas por piratas.

‘Qualquer coisa que pare um navio na água é séria’, disse Mark Gaouette, especialista em segurança e ex-oficial da marinha norte-americana.

Enquanto isso, afirmam os especialistas, os problemas de segurança como um todo podem aumentar à medida que as operadoras lançam uma nova geração de meganavios. Uma embarcação gigantesca como o Oasis of the Seas, operado pela Royal Caribbean, pode transportar até 5.400 passageiros e 2.160 tripulantes. É um terço a mais do que o número de pessoas em navios como o Splendor.

De acordo com especialistas, evacuar qualquer barco é perigoso, um procedimento derradeiro. E que a perspectiva de fazer algo assim no Oasis of the Seas é intimidante. Ele transporta barcos salva-vidas para 6.500 pessoas; mil lugares a menos do que sua capacidade máxima. Cynthia Martinez, porta-voz da Royal Caribbean, afirmou que, se necessário, tripulantes teriam de transformar tobogãs para saídas emergenciais em balsas salva-vidas.

Já se passou mais de uma década, quando as operadoras construíam uma geração de navios como o Triumph e o Splendor, desde que os especialistas marítimos começaram a pedir que melhorassem a segurança das embarcações.

Por exemplo, em 2000, a Organização Marítima Internacional, agência das Nações Unidas envolvida com a segurança dos barcos, começou a desenvolver tais recomendações. Uma delas solicitava que as operadoras equipassem os navios de cruzeiro com motores e geradores de reserva que passariam a funcionar quando os motores principais fossem desligados por incêndio ou outra causa.

De acordo com os especialistas, existem muitos motivos para contar com tais sobressalentes. Além da perda de eletricidade e refrigeração, um barco sem força pode inclinar de forma violenta em ondas fortes. Ademais, um navio sem energia tem de ser evacuado se problemas mais sérios surgirem, uma solução desesperada a ser evitada a todo custo, segundo os peritos.

‘Um barco é o melhor salva-vidas’, disse Gaouette, o especialista em segurança, citando um ditado muito empregado no setor.

De acordo com regra da agência da ONU de 2006, qualquer navio de cruzeiro construído após 2010 deve contar com esse sistema. Contudo, durante a última década, enquanto as operadoras corriam para construir navios maiores para atender à crescente demanda dos consumidores, elas preferiram não adicionar sistemas reservas às novas embarcações.

Para Larrie D. Ferreiro, arquiteto naval e historiador da Universidade Católica de Washington, D.C., a escolha para as operadoras era simples: o barco tem tamanho limitado, então a empresa pode escolher entre botar mais equipamentos ou pessoas dentro dele.

‘Quanto mais cabines de passageiro for possível encaixar no projeto, mais receita será gerada’, assegurou Ferreiro.

Hoje em dia, somente dez navios de cruzeiros têm esse equipamento, contou John Hicks, vice-presidente de navios de passageiros da divisão norte-americana da consultoria Lloyd’s Register. Segundo Martinez, a porta-voz da Royal Caribbean, o Oasis of the Seas e um navio companheiro, o Allure of the Seas, têm tais sistemas sobressalentes.

Para os passageiros da maioria dos navios de cruzeiro, no entanto, a possibilidade se ver preso na água talvez durante dias pode ser uma parte inevitável da compra de uma passagem.

Spreckman, a passageira do Splendor, relatou que ela e os amigos que estavam a bordo ficaram atônitos quando ficaram sabendo sobre o Triumph. Para ela, parecia que a Carnival não havia aprendido nada.

‘Todos me ligaram perguntando se eu tinha visto aquilo. Não consigo acreditar que não aprenderam a lição. Aconteceu antes e voltou a acontecer.’

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