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Construção naval, indústria nacional

Uma verdadeira revolução ocorreu na construção naval, desde 2003. A essa época, os estaleiros mal contavam com 2 mil empregados em todo o país, contingente composto, em grande parte, por seguranças, destinados a garantir a integridade de um patrimônio que, embora sujeito a teias de aranha, teria de ser preservado, nem que fosse para que sua área fosse destinada a condomínios imobiliários à beira-mar.

Ex-metalúrgico, o presidente Lula poderia aceitar pressão da área econômica e, como seus antecessores, transferir dinheiro do Fundo de Marinha Mercante para o caixa da União, já que sempre faltam recursos para o pagamento de juros. Mas manteve pé firme e não só preservou os recursos do histórico fundo criado por Juscelino Kubitschek como ainda extraiu verba extra do Tesouro, para satisfazer a demanda.

A decisão foi sábia, pois evitou que o conhecimento de uma geração de grandes engenheiros e executivos, com extraordinário conhecimento do setor, se perdesse, sem que houvesse transmissão de conhecimentos aos mais novos, o que foi evitado a tempo. Mas, como todos sabem, uma indústria não funciona sozinha. Os estaleiros suprem a oferta, mas armadores têm de prover a demanda.

E, com o sucesso da operação, há necessidade de metalúrgicos especializados – também marítimos. Ao mesmo tempo, com apoio da empresa número um do país, a Petrobras e sua subsidiária Transpetro, navios e plataformas foram encomendados, além de barcos de apoio – que não são encomendas diretas da estatal, mas indiretas, da Petrobras e das demais empresas que atuam na costa nacional. Para culminar, mais dois fatos: o conteúdo nacional e a diversificação de bases.

Embora muito criticado, o conteúdo nacional é fundamental para qualquer indústria que se inicia ou se reinicia. Para se dar um exemplo radical, em uma guerra, cada país faz suas armas, com o custo e a tecnologia que puder alcançar. No caso da tecnologia, os estaleiros – com especial participação de Sérgio Machado, presidente da Transpetro – foram buscar a experiência internacional.

O conteúdo nacional garante a expansão da indústria nacional que, sem um câmbio nefasto, em breve terá condições de competir. A todo momento há críticas ao conteúdo nacional, mas uma atividade não pode ficar dependente só da importação.

A diversificação é algo espetacular. Antes, os estaleiros estavam concentrados, em 90%, no Estado do Rio de Janeiro, mas pouco adiantava para os fluminenses ter 90% de quase nada. Hoje, surgem grandes e médios estaleiros por todo o país, em uma distribuição ainda pouco louvada pela opinião pública, tal a importância desse fato na parte econômica e social dos estados beneficiados.

A Petrobras tem mantido seus compromissos, atuais e futuros. Alguns percalços podem ser considerados eventuais, diante de questões orçamentárias que impactam uma empresa com enormes responsabilidades. Espera-se que não surjam maiores problemas à frente. Caminha-se para um futuro grandioso, em que a construção naval irá contribuir com geração de riqueza e empregos e, em breve, se tornar exportadora, principalmente para países vizinhos e africanos.

Por fim, uma palavra em relação à armação: há necessidade de mais encomendas de armadores privados do mercado interno, não por questões apenas soberanas, mas econômicas. O presidente da Transroll Navegação, Washington Barbeiro, tem procurado mostrar ao governo a imperiosa necessidade de se criar uma frota básica de navios porta-contêineres. Não se pode admitir que nação tão expressiva não disponha de sequer uma embarcação desse tipo no comércio externo.

Isso não pode continuar, principalmente porque essa omissão gera uma perda estimada em US$ 20 bilhões, que é a soma do déficit gerado por fretes faturados por estrangeiros e afretamentos (navios estrangeiros alugados a empresas nacionais). Há que se louvar o que foi feito, mas sempre planejando melhoria e aperfeiçoamento para uma construção naval compelida a crescer sempre mais.

Ariovaldo Rocha

Presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).

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