Cresce temor de que preço do petróleo suba para mais de US$ 150

Os investidores em petróleo podem se arrepender de terem exortado as empresas a distribuir dinheiro agora, em vez de investir em crescimento para depois, já que a falta de exploração prepara o cenário para uma alta sem precedentes do preço do petróleo, segundo a Sanford C. Bernstein.

As empresas têm sido obrigadas a se concentrar em aumentar os retornos e as distribuições aos acionistas às custas dos gastos de capital, destinados a encontrar novas reservas, escreveram analistas, entre eles Neil Beveridge, em nota publicada nesta sexta-feira (6). Por isso, as reservas das maiores produtoras caíram, e o índice de reinvestimento do setor atingiu o menor patamar em uma geração, o que abre caminho para que os preços do petróleo ultrapassem os níveis recorde alcançados na última década, segundo Bernstein.

“Os investidores que haviam incitado as equipes de gestão a frear o gasto de capital e devolver dinheiro lamentarão a falta de investimentos no setor”, escreveram os analistas. “Qualquer escassez de oferta provocará uma disparada nos preços, possivelmente bem maior que a alta que levou o barril a US$ 150 em 2008.”

As maiores petroleiras do mundo, incluindo Royal Dutch Shell e BP, superaram o colapso dos preços em 2014 reduzindo custos, vendendo ativos e contraindo dívidas para ajudar a satisfazer os investidores com dividendos significativos. A maior, a Exxon Mobil, foi punida pelos acionistas no início do ano após uma série de resultados decepcionantes com um enorme plano de investimentos e a falta de recompras.

Falta de investimento crônica

O excesso de oferta de petróleo em todo o mundo nos últimos anos mascarou a “falta de investimento crônica”, afirma a Bernstein no relatório. O petróleo atingiu o maior patamar em mais de três anos depois que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados começaram a limitar a produção, no início do ano passado, para reduzir a abundância global. Os produtores agora pretendem extrair mais para ajudar a esfriar o mercado, mas interrupções em países como Líbia e Venezuela estão mantendo os preços altos.

As reservas comprovadas das maiores petroleiras do mundo caíram em média mais de 30% desde 2000, e apenas Exxon e BP mostraram melhora, ajudadas por aquisições, informou a Bernstein. Ao mesmo tempo, mais de 1 bilhão de pessoas migrarão para cidades na Ásia nas próximas duas décadas, o que ampliará a demanda por carros, viagens aéreas, fretes rodoviários e plástico, que também exige petróleo, segundo a Bernstein.

“Se a demanda por petróleo continuar crescendo até 2030 e depois disso, a estratégia de devolver dinheiro aos acionistas e investir pouco em reservas acabará sendo a semente do próximo superciclo”, escreveram os analistas. “As empresas que tiverem barris por produzir ou oferecerem os serviços para extraí-los serão as escolhas certas, não ficarão para trás.”

O barril de petróleo Brent atingiu a maior alta da história em 2008, US$ 147, devido ao forte crescimento da demanda e à falta de recursos imediatamente disponíveis, o que alimentou um aumento sincronizado das commodities apelidado de superciclo.

Fonte: Portos e Navios

 

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Conselho do FMM prioriza R$ 960 milhões para novos projetos!

O Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante aprovou R$ 3,8 bilhões em prioridades para financiamento de projetos do setor naval. Desse total, R$ 2,9 bilhões são destinados a projetos já aprovados pelo conselho em outras ocasiões e que obtiveram novo prazo para contratação. Outros R$ 960 milhões são referentes a novos projetos. A decisão foi tomada durante a 38ª reunião ordinária do CDFMM, realizada na última quinta-feira (5), em Brasília. Na pauta, estava prevista análise de sete novos projetos, além de oito reapresentações, uma alteração de projeto (sem alteração de valor) e cancelamento de prioridades.

A diretora do Departamento da Marinha Mercante e conselheira do CDFMM, Karênina Dian, destacou que parte significativa da indústria naval brasileira tem passado por um momento desafiador, em função das oscilações no mercado de petróleo e gás. “Tivemos um valor maior de novos projetos, principalmente voltados para reparo e para o escoamento da produção do Arco Norte, que indicam mercados e negócios que podem ser promissores para essa indústria, utilizando o incentivo do FMM”, disse Karênina. O detalhamento dos projetos que obtiveram prioridade nessa reunião será publicado no Diário Oficial da União nos próximos dias.

A próxima reunião ordinária do CDFMM está prevista para 29 de novembro de 2018. Os interessados têm até o dia 1º de outubro para apresentarem os projetos para obtenção de prioridade para financiamento com recursos do FMM, administrado pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. O FMM pode financiar até 90% do valor dos projetos pleiteados. O percentual de financiamento dependerá do conteúdo nacional e do tipo de embarcação

Confira abaixo o resumo da 38ª reunião do CDFMM:

 

Fonte: Poder Naval

Revestimento de ar fará navios deslizarem pela água mais facilmente

Lubrificação passiva a ar

Há tempos os navios tentam ficar mais verdes, e uma das principais ideias é criar uma espécie de “colchão de ar” entre o navio e a água para eliminar o atrito.

É esta ideia que engenheiros do Centro Fraunhofer de Logística e Serviços Marítimos, na Alemanha, pretende testar na prática por meio do projeto Aircoat, sigla em inglês para revestimento para redução da fricção em navios induzida por ar. Para facilitar a adoção desse mecanismo de lubrificação passiva a ar, a equipe pretende fabricar folhas autoadesivas que possam ser fixadas no casco dos navios.

O segredo da tecnologia está na microestrutura desse revestimento, que irá criar uma fina camada de ar entre o navio e a água, reduzindo significativamente a resistência ao atrito. Como resultado, o consumo de combustível e a emissão de gases de escape do navio serão reduzidas consideravelmente. O revestimento de ar reduzirá ainda a emissão de ruído e impedirá que organismos marinhos se instalem no casco, os chamados incrustantes.

Efeito salvínia

Este método de revestimento de ar inovador é uma aplicação biônica, ou seja modelada com inspiração na natureza. A técnica é baseada no chamado efeito salvínia, descoberto conjuntamente pelo botânico Wilhelm Barthlott, da Universidade de Bonn, e pelo professor Thomas Schimmel, do Instituto de Tecnologia Karlsruhe, ambos na Alemanha.

O efeito permite que certas plantas, como a samambaia flutuante (Salvinia molesta), respirem debaixo d’água – a Salvinia molesta é uma planta nativa do sudeste do Brasil. Essas plantas retêm uma fina camada de ar na superfície de suas folhas, que é coberta por estruturas semelhantes a pêlos e é altamente repelente à água.

Revestimento de ar fará navios deslizarem pela água mais facilmente

A superfície altamente repelente da samambaia flutuante (Salvinia molesta) serviu como modelo da tecnologia que promete navios mais verdes e mais rápidos. [Imagem: Schimmel Team/KIT]

A ideia do projeto Aircoat é implementar tecnologicamente esse efeito de manter camadas de ar em superfícies embaixo d’água em um sistema sintético, que possa ser fabricado industrialmente em larga escala. “Nós desenvolvemos um método para produzir uma superfície artificial que imita o efeito no laboratório. Um protótipo inicial que foi colocado debaixo d’água há mais de cinco anos ainda está coberto por uma camada permanente de ar,” contou o professor Schimmel.

A equipe está se dedicando agora a otimizar a tecnologia e estudar as propriedades da superfície experimental e numericamente. A seguir, eles planejam demonstrar a eficiência e a viabilidade industrial e a aplicação do revestimento em navios de pesquisa e em navios porta-contêineres. A intenção é ter um produto comercial dentro de três anos.

Fonte: Redação do Site Inovação Tecnológica -  02/07/2018

III Salão Náutico Marina Itajaí – 05 a 08 de Julho

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O III Salão Náutico Marina Itajaí, maior do gênero do sul do Brasil,  acontecerá de 5 a 8 de julho na Marina Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina.

Possui mais de 5.000 m² de feira reunindo embarcações em vagas secas e molhadas de diversos tamanhos e estilos, produzidas por renomados estaleiros nacionais e internacionais, tanto para quem deseja ingressar no mundo náutico ou trocar de modelo.

Aluguel compartilhado de lanchas de passeio, curso de habilitação náutica, seguros para embarcações, serviços de restauração de barcos, artigos para o esporte e lazer dentro da água, além de produtos para reparos e manutenção náutica também estão confirmados ao evento.

Produtos e serviços premium como carros, empreendimentos, moda e decoração serão mais atrativos.

Haverá ainda uma série de opções culturais, gastronômicas e de lazer para toda a família.

O Salão Náutico tem como objetivo difundir a cultura náutica, fortalecer Santa Catarina como pólo brasileiro e promover a geração de negócios.

Considerando o sucesso das edições anteriores, a expectativa é receber mais de 9 mil visitantes e aumentar em cerca de 15% o volume de negócios gerados em relação ao ano de 2017.

A Marina Itajaí, sede do Salão Náutico, possui acesso terrestre facilitado pela BR 101 duplicada, além oferecer estrutura ao público que vier de barco ou de helicóptero. As coordenadas são: 26º 54’ 38” S – 48º 39’ 13” W.

Faça sua inscrição gratuitamente  AQUI. 

 

Fonte: Salão Náutico Marina Itajaí

Investimentos no Complexo Naval de Itaguaí (RJ) não ficarão restritos a 4 submarinos

Foto: Danilo Oliveira
Por Danilo Oliveira

A Marinha estuda possibilidades para dar sequência à construção de submarinos após a entrega das encomendas iniciais de seu Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub). O contra-almirante Celso Mizutani Koga, gerente de empreendimento modular de obtenção de submarinos, disse na última segunda-feira (4), que os investimentos no complexo naval de Itaguaí (RJ) não ficarão restritos aos quatro submarinos convencionais e a um de propulsão nuclear do Prosub. No radar da força naval estão eventuais fabricações para países da América do Sul e novas unidades para o Brasil, além da participação em concorrências no exterior.

O lançamento ao mar da primeira unidade, o S-BR 1 (S Riachuelo), está previsto para o próximo dia 12 de dezembro. O primeiro submarino está em fase de união final das seções e acabamento interno no estaleiro do complexo de Itaguaí. Quando a integração for finalizada e os sistemas instalados, será iniciado o comissionamento dos sistemas a bordo. A entrega ao setor operativo está prevista para julho de 2020. A expectativa é que as próximas unidades sejam lançadas, respectivamente, em setembro de 2020, dezembro de 2021 e dezembro de 2022: S-BR2 (S Humaitá), S-BR3 (S Tonelero) e S-BR4 (S Angostura). Os submarinos S-BR2 e S-BR3 já estão na unidade de fabricação e estruturas metálicas do complexo (UFEM), enquanto parte do casco do S-BR4 está na Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), também em Itaguaí.

Atualmente, a Itaguaí Construções Navais (ICN) emprega aproximadamente 2.200 pessoas, a maior parte é de trabalhadores brasileiros ou treinados na França ou treinados por brasileiros que receberam capacitação no país europeu. No estaleiro em Itaguaí, cerca de 240 trabalhadores se dividem em três turnos na construção do SBR-1. Até setembro de 2017, foram desembolsados R$ 15,5 bilhões dos R$ 30 bilhões previstos pelo Prosub. Desse montante, R$ 7,4 bilhões foram para o estaleiro e a base, R$ 6 bilhões para os submarinos convencionais e R$ 2,1 bilhões para o submarino de propulsão nuclear. A ICN é formada pela brasileira Odebrecht e o estaleiro francês Naval Group, antiga DCNS. A Marinha do Brasil possui participação chamada de golden share, que permite o veto em decisões relacionadas ao projeto.

A parceria entre Brasil e França, assinada em 2009, prevê a transferência de tecnologia entre empresas dos dois países. No entanto, não houve acordo ou viabilidade para transferência de tecnologia de alguns itens como: motores, sistemas de propulsão e reator. “Existem dificuldades impostas pelos países estrangeiros para que avancemos com programa. Muita coisa nós precisamos desenvolver do zero, principalmente o enriquecimento [de urânio]”, explicou o almirante Koga em coletiva de imprensa em Itaguaí. Ele ressaltou que o processo é progressivo e já conseguiu nacionalizar itens como escoras, baterias, válvulas e parte dos sistemas de combate. Na ocasião, o contra-almirante Koga destacou que o programa foi concebido direcionado para o submarino de propulsão nuclear e acrescentou que os submarinos convencionais são importantes para abrir caminho para o modelo mais complexo.

Reator multipropósito — Na próxima sexta-feira (8) ocorrerá, em Iperó (SP), o lançamento da pedra fundamental do reator multipropósito brasileiro (RMB) e o início dos testes de integração dos turbogeradores do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene). O RMB é um reator nuclear com objetivo de tornar o Brasil autossuficiente na produção de radioisótopos – insumo importante para fabricação de rádiofármacos, hoje importado pelo país. O Labgene, parte do Programa Nuclear da Marinha (PNM), é o protótipo em terra da planta nuclear do futuro submarino com propulsão nuclear brasileiro. Ele vai permitir testes de  alguns equipamentos que serão usados nesse submarino.

Parte do submarino de propulsão nuclear é desenvolvida pelo Programa Nuclear da Marinha, em parceria com o Prosub. O PNM foi criado com objetivo de dominar com tecnologia nacional o ciclo completo do combustível, desde a prospecção e enriquecimento do urânio até a fabricação do elemento combustível para uso no submarino de propulsão nuclear e geração de energia elétrica.  O centro tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) possui laboratórios de testes e um centro de desenvolvimento de submarinos. O Labgene reproduzirá em terra a planta de propulsão nuclear do submarino de propulsão nuclear.

Fonte:Site Portos e Navios

Madeira superdura supera o aço e iguala titânio

Redação do Site Inovação Tecnológica –  08/02/2018

Supermadeira supera o aço e iguala titânio

A madeira tratada é 12 vezes mais forte e 10 vezes mais dura do que a madeira natural original.[Imagem: Universidade de Maryland]

Supermadeira

Estes engenheiros da Universidade de Maryland, nos EUA, não estão rindo à toa.

Eles descobriram uma maneira de tornar a madeira mais de 10 vezes mais forte e mais resistente, criando uma substância natural que é mais forte do que o aço e até do que muitas ligas de titânio.

A madeira tratada com uma técnica simples em duas etapas é forte e resistente, uma combinação que não é geralmente encontrada na natureza – ela é tão forte como o aço, mas seis vezes mais leve.

É preciso 10 vezes mais energia para fraturar a supermadeira do que a madeira natural original, antes do tratamento – em termos técnicos, ela tem 10 vezes mais tenacidade, que é a resistência à tensão mecânica. Além disso, a madeira em lâminas pode ser dobrada e moldada no início do processo.

“Esta nova maneira de tratar a madeira torna-a 12 vezes mais forte do que a madeira natural e 10 vezes mais dura,” acentuou o professor Liangbing Hu. “Isso pode ser um concorrente para o aço ou até mesmo para ligas de titânio [porque] ela é tão forte e durável [quanto esse metais]. Também é comparável à fibra de carbono, mas muito mais barata.”

Como deixar a madeira superdura

“Nosso processo de duas etapas envolve a remoção parcial da lignina e da hemicelulose da madeira natural através de um processo de ebulição em uma mistura aquosa de NaOH [soda cáustica] e Na2SO3 [sulfito de sódio], seguida de prensagem a quente, levando ao colapso total das paredes celulares e à densificação completa da madeira natural, com as nanofibras de celulose [ficando] altamente alinhadas.

“Demonstramos que esta estratégia é universalmente eficaz para várias espécies de madeira. Nossa madeira processada tem uma força específica maior do que a maioria dos metais e ligas estruturais, tornando-se uma alternativa leve, de alto desempenho e de baixo custo,” explicaram Jianwei Song e seus colegas.

Os testes da supermadeira incluíram disparar sobre ela projéteis semelhantes a balas de armas de fogo. O projétil passou direto através da madeira natural, mas ficou encrustado na madeira tratada – ou seja, é essencialmente uma madeira à prova de balas.

Aplicações da supermadeira

Além de um substituto para o aço e algumas ligas, a madeira superforte poderá também aliviar a pressão para o cultivo e extração de madeiras mais nobres e mais duráveis.

“Madeiras macias, como o pinho ou a balsa, que crescem rapidamente e são mais amigáveis com o meio ambiente, poderão substituir bosques mais lentos, mas mais densos, como a teca, em móveis ou edifícios,” disse Hu.

“Esse tipo de madeira poderia ser usado em carros, aviões, edifícios – qualquer aplicação onde o aço é usado,” finalizou.

Bibliografia:

Processing bulk natural wood into a high-performance structural material
Jianwei Song, Chaoji Chen, Shuze Zhu, Mingwei Zhu, Jiaqi Dai, Upamanyu Ray, Yiju Li, Yudi Kuang, Yongfeng Li, Nelson Quispe, Yonggang Yao, Amy Gong, Ulrich H. Leiste, Hugh A. Bruck, J. Y. Zhu, Azhar Vellore, Heng Li, Marilyn L. Minus, Zheng Jia, Ashlie Martini, Teng Li, Liangbing Hu
Nature
Vol.: 554, pages 224-228
DOI: 10.1038/nature25476

O futuro da indústria naval

Ivan LeaoPor Ivan Leão – diretor da Ivens Consult (06/12/2017)

Existe desconexão entre os elos da cadeia de produção da indústria naval, situação que não é nova e que ficou clara no evento O Futuro da Indústria Naval, promovido pela Coppe-UFRJ, dia 7/11/2017. A moderação do professor João Carlos Ferraz, do Instituto de Economia da UFRJ, cita quatro momentos em que a indústria naval cresce e fracassa, praticamente pelos mesmo motivos.

A situação agora é de falta de perspectiva para construção local de casco de FPSO e novos contratos de petroleiros ou navios aliviadores. A entrega dos últimos navios de apoio marítimo abre um hiato de três anos a quatro anos até nova fase de contratações.

Tatiana Paranhos Cerqueira de Macau, a nova diretora do Departamento de Marinha Mercante da Secretaria de Fomento e Parcerias do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, disse que acabou a demanda por financiamentos embora o Fundo da Marinha Mercante (FMM) tenha dinheiro; disse que os segmentos que ainda demandam financiamentos são os rebocadores portuários e a navegação fluvial, que não foram convidados para o evento. Em documento divulgado anteriormente, o Conselho Diretor do Fundo (CDFMM) informou que 13 estaleiros estão paralisados; desde 2007, foram construídos 11 estaleiros, 171 navios de apoio offshore, 24 navios para a cabotagem, na sua maioria petroleiros, 109 rebocadores portuários, 253 barcaças e empurradores de transporte fluvial.

O engenheiro de produção Harro Burman, diretor do Estaleiro Atlântico Sul, disse que os estaleiros não têm credibilidade para entrega de grandes obras (plataformas e petroleiros) e que foi necessário grande esforço para recuperar a credibilidade do EAS na construção de petroleiros. Foi necessário provar eficácia reduzindo o HH por tonelada processada de 300 para 70 HH, ainda abaixo do padrão mundial, mas já apto para competir em determinados ambientes. Faltou informar que blocos da popa e da proa continuam importados da Ásia. Antes, todo o bloco do casario chegou a ser importado.

Cinco anos sem leilões de áreas de produção interromperam o fluxo de demanda de plataformas de produção, navios petroleiros-aliviadores e navios de apoio offshore. Nos fornecimentos de plataformas de produção de petróleo é onde a desconexão se manifesta intensamente. O presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena), Luiz de Mattos, pede bom senso nos debates sobre o conteúdo local. A questão é a plataforma de Libra, já adiada para 2021 e ameaçada de nova ação na Justiça, o que revela desconexão da indústria com seu principal cliente. A Petrobras anuncia licitação de mais três plataformas, essas seguindo as novas regras de conteúdo local.

A construção e operação de navios de apoio offshore é um dos segmentos mais bem-sucedidos, ao lado da construção e operação de rebocadores portuários e comboios fluviais. José Guilherme de Souza, sócio da gestora de fundos Vinci-Partners, controladora do Grupo CBO, desde 2013, destacou que o grupo tem a operação e construção de navios de apoio com padrão internacional. Edson Souki, diretor dos estaleiros Oceana (SC) e Aliança (RJ,) do Grupo CBO, confirma a competitividade. Ambos elogiam o engenheiro naval Luiz Maurício Portela, formado na UFRJ, presente ao evento. Luiz Maurício foi presidente do Grupo CBO até 2014; reativou o estaleiro Ebin, onde foi construída a frota da CBO até a venda ao novo acionista; foi diretor técnico da Aliança Navegação e gerente técnico do estaleiro Emaq, onde participou do grupo de engenheiros que criaram a empresa de projetos que viria a ser a Projemar.

Danilo Giroldo, presidente da APL Naval de Rio Grande e vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), manifestou preocupação com a redução do conteúdo local no fornecimento de plataformas, o que pode impedir o desenvolvimento do polo naval onde se encontram o Estaleiro Rio Grande (Ecovix–RS), Estaleiros Brasil (EBR) e QGI, o primeiro já paralisado por falhas de gestão e os demais sem perspectivas de novas obras após entregas das plataformas P-74, P-75 e P-77, nas quais foram realizados serviços de integração dos módulos.

Julio Cesar Maciel Raimundo, do BNDES, informou que o BNDES é o principal agente financeiro do Fundo da Marinha Mercante (FMM). Os desembolsos pelo BNDES e demais bancos oficiais somaram cerca de R$ 30 bilhões, desde 2007, dos quais cerca de 90% para o segmento de petróleo e gás. A demanda existe, sem melhora no curto prazo diante dos ajustes da Petrobras. Ressaltou que o Brasil representa região relevante para investimento das petroleiras locais e internacionais e reconheceu que a falta de continuidade das encomendas reduz a capacidade de aperfeiçoamento da indústria naval. No momento os pedidos de financiamento continuam com a demanda das empresas de apoio portuário.

Telmo Ghiorzi, da Aker Solutions e diretor da Abespetro, que reúne 47 empresas prestadoras de serviços para a produção de petróleo, confirma a expectativa com a volta dos volumes de negócios, que se reduziram diante dos cinco anos sem leilões de áreas de produção. Diz que ocorreu profunda dependência da Petrobras, diante de uma regulação feita para construir a dependência. O conteúdo local nas regras do Pedefor ainda merece melhorias, considera que a engenharia tem peso de 2% a 3%, deveria ser maior, pela importância da engenharia para a inovação. A volta dos leilões coloca o Rio de Janeiro diante da possibilidade de se tornar um centro mundial de serviços.

Floriano Pires, da Coppe-UFRJ, destacou que o Brasil é um país que oferece grande oportunidades e também é capaz de perder oportunidades. Exemplifica com a fase recente de desenvolvimento da indústria naval que realizou enormes avanços mas deixou de estabelecer metas de desempenho e políticas de desenvolvimento de recursos humanos.

No evento, foi fácil ver o cuidado ao falar do ambiente de mercado, assunto geralmente confinado na frase “conforme foi revelado na Lava-Jato”. É possível traçar contornos do chamado “custo Brasil” (conjunto regulatório, fiscal, financeiro e de deficiências logísticas) que cria riscos excessivos, a não ser que as empresas sejam politicamente escolhidas para benefícios especiais, não sustentáveis. Essa desconexão é notável em muitos setores e se revela acentuada na indústria naval.

Fonte: Site Portos & Navios